DESPERTAR DA CONCIÊNCIA

O progresso da humanidade tem seu início na aplicação das leis de justiça, de amor e de caridade.

A justiça é o respeito ao direito de cada um. O amor substitui o personalismo (um trunfo sobre o ego), é uma conquista nobre do processo da evolução do homem. É o alicerce mais importante para a construção de uma personalidade sadia, gera um comportamento equilibrado, por isso amar é ser consciencioso e fazer para os outros o que se deseja pra si. A caridade é o resumo de toda moral de Jesus, ou seja, para viver a caridade precisa-se desenvolver virtudes.

E o que é virtude? Vem da palavra latina vir, que designa o homem. Virtus é “poder”, “potência” (ou possibilidade de passar ao ato). A virtude é a permanente disposição para querer o bem, a coragem de assumir valores e enfrentar obstáculos que dificultarão sua ação. Logo, para vivenciar a justiça, o amor e a caridade necessita-se primeiramente se virtuoso.

Platão no século V a.C. mostra a virtude como esforço de purificação das paixões, e que o compromisso do homem virtuoso está vinculado à razão que determina o exercício prático, o domínio do corpo.

Para Aristóteles, a virtude é eqüidistância entre dois vícios: um por excesso, outro por falta. Ele nos alerta sobre a necessidade de sermos prudentes e buscarmos o justo meio, sem o excesso e sem a falta.
Só conseguiremos o justo meio, a partir da reflexão sobre as duas partes, utilizando a razão, a justiça e o amor para não haver enganos.

Quando refletimos sobre a virtude, a ética, a caridade e o amor, chegamos a conclusão de que Jesus em sua sabedoria máxima já nos convoca a buscar a verdade para uma transformação quando ele disse: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

O despertar da consciência só será possível a partir do auto-descobrimento, que nos proporcionará a consciência da mossa realidade atual, e assim saindo das sombras da ignorância poderemos atingir elevados patamares, desenvolvendo valores conquistados.
E os valores, a virtude, conquistamos através da vontade, imbuída de razão, pois sem desvincular das amarras das paixões, do poder e das armadilhas do ego, é muito difícil, porém não impossível. A determinação deverá ser ativada para não haver desistência no meio do caminho.

Kant já dizia: “A virtude é a força de vontade de um homem no cumprimento do seu dever”. Se temos direitos, também temos deveres, e não é só para com os outros não, é principalmente conosco, para o nosso trabalho interior, para a nossa reconstrução, não podemos somente ser luzes nos caminhos dos outros, temos que ser luzes também nos nossos próprios caminhos...

Sócrates era tido como um perigo, pois era considerado “o pedagogo e médico das almas”, Menosprezava os preconceitos sociais da época. Valorizava o Ser e suas capacidades...
Sua missão era levar todos os seres a buscar o verdadeiro bem, pelo cuidado da própria alma. Por isso o humanismo socrático era centralizado no preceito: “conhece-te a ti mesmo”, esse é o verdadeiro conhecimento, a auto-consciência que deveria ser despertada e mantida em permanente vigília...
Bibliografias:
Diálogos – Sócrates/ Platão
De: Kátia C. Flocke
Reeditado por: A. Oliveira
JULHO DE 2010